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jun 11

Qual a resolução ideal?

Esta semana tivemos a consulta, via email, de um leitor com dificuldade para fechar a arte de um pequeno outdoor. Ele estava fechando o trabalho ficando com um arquivo de 500 Mb e não tinha como enviar para o bureau. Ficou a pergunta: Qual a resolução ideal para enviar o arquivo?

Resolução do original

resolução do outdoor

resolução do outdoor

Usualmente em gráfica sempre preparamos nossas artes com 300 dpi de resolução. Para um serviço até tamanho A4 raramente temos problemas. Mas para tamanhos maiores ou fotos preenchendo toda a folha sempre ficamos com arquivos muito pesados. Para terem uma ideia um arquivo com uma foto única a 300 dpi em A4 ficou com 5 MB, em A3 ficou com 7,5 MB, um banner 60×90 cm ficou com 16,5 MB e um outdoor conseguiu travar a minha máquina.

Quando se pede orientação do bureau de serviço sobre a resolução ideal a resposta é quase sempre a mesma: deve-se enviar as fotos com 300 dpi. Mas será que é isso mesmo? Essa resposta está certa? Você verá que não!

Olhando um outdoor de perto!

Você já viu uma folha de outdoor bem de perto? Quem já viu notou que se usa uma lineatura com pontos de quase 1 cm. É quase impossível se perceber as figuras pegando a folha na mão.

A lineatura é de aproximadamente 10 lpi.

Quem entende um pouco de gráfica sabe que a lineatura usada é aproximadamente metade da resolução das imagens. Por isso no seus trabalhos de panfletos, você envia o arquivo em 300 dpi e o fotolito é gerado com aproximadamente 150 lpi.

Agora convenhamos! Faz sentido mandar uma imagem com 300 dpi para fazer um outdoor com 10 lpi? O ideal seria 20 dpi.

Mas e se o outdoor vai ficar num muro na altura dos passantes, como fica?

Imagens grandes, clientes próximos!

Já neste caso, as pessoas estarão a menos de 1 metro da imagem. Com isso, é necessário usar uma resolução maior e imprimir numa lineatura bem maior, tal qual um impresso gráfico tradicional.

É por isso que o bureau pede sempre a arte com  300 dpi. Não lhe é dada a informação de onde será colocada a impressão e a distância para visualização.

Daí eles pecam pelo excesso. E você que se vire para desenvolver a arte pesada e levar os arquivos para o bureaus.

Logo, a responsabilidade da resolução final, lineatura da impressão e demais detalhes recai sobre que faz a arte. Por isso, se você é o cliente, tenha sempre em mente de dar informações precisas para quem está desenvolvendo a arte.

Não está nem aí para o trabalho que vai dar? Já viu aquelas imagens escuras demais depois de impressas? Bem diferente a foto original? É que elas ficaram com uma resolução maior que a necessária. O resultado é que a arte vai ficando cada vez mais escura, perdendo parte dos detalhes.

Você quer isto para seu trabalho? Claro que não!

resolução x distância

resolução x distância

Resolução ideal! Uma regrinha de três!

Já complicou! Regra de três! Matemática!

Eu sou designer e não matemático!

Bem, vou tentar resumir numa tabelinha para facilitar e dar a base para você aprender a fazer.

Digamos que uma folha A4 a uns 20 cm do seu olho com 300 dpi impresso em 150 lpi seja o ideal para você. Ou mesmo, já que estamos falando em plotagem, que a sua impressora de mesa trabalhe com 600 dpi e tenha uma resolução que você considera boa. Note que a resolução dela é o dobro da necessária no offset.

Essa regra de três serve para qualquer um dos casos. Neste caso vou trabalhar pela resolução de saída e não do original.

20 cm está para 600 dpi assim como 100 cm (1 metro) está para X. Perceba que é uma relação inversa, ou seja, a resolução deve diminuir com a distância.

Logo: resolução = ( 600 x 20 ) / 100 = 120

Fazendo uma tabela:

20 cm -> 600 dpi

1 m -> 120 dpi

2 m -> 60 dpi

5 m -> 24 dpi

10 m -> 12 dpi

20 m -> 6 dpi

Notou como funciona? Tudo depende da distancia que está o seu leitor.

A letras funcionam do mesmo jeito, mas daí vou indicar o texto do autor Canha do blog design.blog com o artigo Calculando as alturas das fontes.

Atenção para as diferenças!

Eu falei de muitos termos aqui: resolução da imagem, resolução da saída e lineatura.

Fique ligado nas diferenças:

Resolução da imagem – É a resolução da foto do seu original. Pelo texto você já viu que em geral usamos 300 dpi, mas que ela pode variar de acordo com o tipo de saída. Se for para offset de uma revista (20 cm do usuário) deve ter os 300 dpi. Se for impressa em Jato de tinta a lineatura cai para cerca de 75 dpi, ou seja, uma resolução de 150 dpi é o suficiente. Já notou que quando imprimimos uma prova jato de tinta coma imagem em 300 dpi ela fica mais escura que a impressão offset? É por causa disso! A resolução está maior que a necessária para o tipo de saída.

Resolução da saída – É a resolução do equipamento que faz a impressão do trabalho. Pode ser a jato de tinta, o plotter, o fotolito ou platesetter. Usualmente ela pode ser ajustada no equipamento até um determinado valor. Na impressora jato de tinta nós verificamos isto pela qualidade da imagem: rascunho, normal, qualidade, qualidade fotográfica. De nada adianta colocarmos uma imagem com resolução de 1000 dpi para garantir e o bureau imprimir em rascunho para baratear a impressão. Tenha em mente que mais que a resolução do seu original, este item se torna muito importante. Pagando-se mais por uma impressão de qualidade, se tem melhor qualidade de saída. A resolução da imagem deve estar de acordo com a resolução de saída. Veja a tabela completa de preços do seu fornecedor e pese a qualidade de saída com o custo de cada impressão. É o famoso custo x benefício.

Lineatura – A lineatura é mais observada nas saídas tradicionais de fotolito. Normalmente usa-se os padrões da máquina, previamente ajustados para cada resolução. Mas isto não é definitivo: O operador pode fazer ajustes de acordo com a necessidade do cliente. Por exemplo, no silk screem o operador faz ajustes para diminuir a lineatura para poder ter pontos grandes o suficiente para boa qualidade do processo. Olhe as estampas das camisas e visualize os pontos. O mesmo pode ser usado num plotter para imprimir um outdoor. Fazendo isto a imagem não fica escura pelo excesso de tinta. É isso mesmo! Excesso de tinta pode ser prejudicial para o trabalho final e no outdoor percebe-se isto!

E no fechamento?

resolução de entrada, de saída e lineatura

resolução de entrada, de saída e lineatura

Parte da dúvida do leitor que falei no início do artigo era quanto ao fechamento do arquivo. O bureau pediu o arquivo em PDF/X-1a e ao fechar o arquivo com as definições padrões chegou-se a um imenso arquivo de 500 MB. Este fechamento foi desenvolvido originalmente para paginas a serem impressas em offset (tamanhos A4 ou A3). O padrão do corel é fechar os objetos em zip, baixa compactação, 300 dpi para as fotos.

No caso de quem trabalha com figuras grandes a serem vistas de longe, pode-se mexer nesta configuração. Minha sugestão é tentar colocar os originais com uma resolução menor, próxima a que defini na tabela acima e ao fechar colocar nas configurações do pdf na aba objetos, um fechamento em JPG com uns 40 de compressão. Não vi necessidade de mexer nos demais ajustes, mas pode-se diminuir um pouco as resoluções também.

Com isso o arquivo vai ficar bem mais leve e poderá ser enviado até pela internet como anexo de email.

Fica apenas o alerta: Em casos especiais em que a imagem é grande, mas fica extremamente próxima ao cliente, deve-se usar as resoluções maiores, e teremos problemas no envio dos arquivos… mas estes são casos especiais.

Nos demais casos, usar uma resolução da ordem de 100 dpi para um banner 60×90 cm ou uns 30 dpi para um outdoor trará excelentes resultados, desde que se escolha impressões com a qualidade que se deseje.

Conclusão

Em artes gráficas, não existem definições padrões. Não se pode olhar o trabalho como uma coisa única. Deve-se levar em conta todo o conjunto: quem vai ler, como vai ler, distância, idade do público (os velhinhos não leem letras pequenas, o jovem já lê), tempo de exposição (o sol desbota o impresso) e muitas outras variáveis.

Fazer boas definições é um trabalho que não pode ser negligenciado e creio eu que cabe ao vendedor, entender as necessidades do cliente e direcionar o trabalho do melhor modo possível. De que adianta vender o material na maior resolução possível, querendo agradar o cliente, e no fim, este achar o trabalho escuro demais?

Qualquer que seja o seu “posto” na cadeia de valor, tenha em mente que ajustar o trabalho ao público leitor é necessário.

Espero que tenham gostado do post.

Podem usar os comentários para suas dúvidas: teremos prazer em respondê-las.

Abraços a todos,

Paulo Valle

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Gráfico por mais de dez anos usando as marcas Qualiprint e Cardquali. Atuação na zona oeste do Rio de Janeiro e pela internet, principalmente pelo mercado livre onde foi por anos Mercado Líder. Atualmente administrador numa rede de restaurantes e proprietário do blog Dicas Gra´ficas do Cardquali, onde procura levar parte de seus conhecimentos na área gráfica e administrativa para todos interessados na área.


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