Que raiva daquele garoto “dando” cartão!

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A postagem de hoje partiu da indignação de um de nossos leitores, colocando comentários aqui no blog. É um colega de profissão, a mais de 25 anos no mercado, indignado com a enxurrada de pessoas na área vendendo produtos a preços ridículos. De certo modo eu entendo ele e até me solidarizo com o ocorrido. Mas isso que está ocorrendo não é uma coisa nova e sim algo que ocorre de tempos em tempos e que devemos ficar “espertos” para não ser a bola da vez.

Uma breve viagem ao tempo

A 25 anos atrás, um garoto com idéias inovadoras resolveu montar uma gráfica.
Ele pegou o melhor equipamento que havia na época – Uma offset monocolor – e partiu para a luta.
O pessoal da antiga, acostumados com suas tipográficas de trabalho quase artesanal ficaram ofendidos com a presunção do jovem. Afinal, como alguém que nem sabe montar os tipos móveis e tem dificuldade de ler com as letrinhas trocadas, quer colocar uma dessas máquinas modernas para fazer melhor o serviço que fazemos a décadas. Afinal temos o cuidado de checar um a um os cartões que imprimimos.
Nem preciso dizer que a luta foi desigual. A tipografia fazia uns 3 mil cartões do dia, quando muito. O jovem colocava sua chapa e em minutos tinha 10 mil cartões impressos. A diferença de preço era absurda, enquanto o cento do cartão tipográfico custava R$ 300, o jovem vendia o milheiro por esse preço. Era um afronta.
E assim foi. O jovem cresceu na profissão e os profissionais da antiga que não mudaram o pensamento foram minguando a cada segundo.
O jovem foi crescendo, com altos lucros, continuando com a mesma fórmula que tinha aprendido.
Aí surgiu outro jovem vendendo o mesmo milheiro a R$ 100. Ele ficou por conta com o preço baixo cobrado por esse insolente.
Mal ele sabia que o novo entrante tinha bolado um novo sistema de trabalhar. Ele juntava 5 a 10 clientes numa mesma chapa e padronizava as quantidades. Com o mesmo trabalho ele atendia 10 clientes e podia cobrar menos por isso. Em pouco tempo adquiriu uma offset bicolor e depois uma 4 cores. Aí percebeu que podia fazer ainda mais. Juntar 60 clientes numa chapa e oferecer produtos coloridos por menos do que oferecia os cartões em 1 cor. E podia laminar ou passar verniz… as vendas subiram e num outro “insign” ele conheceu a internet e a possibilidade de vender para todo o Brasil… e assim o fez.
Estudou um pouco e descobriu o segredo das grandes empresas, como as de telefonia. Para não deixar aparecerem concorrentes, basta jogar o preço tão pra baixo que um novo entrante não vai conseguir pagar a compra de um maquinário novo. Afinal as máquinas dele já estavam pagas e com o volume que ele tinha poderia facilmente adquirir novas máquinas, uma atrás da outra.
E assim o fez… e se dá até o luxo de volta e meia subir um pouquinho seus preços… quando precisa dá outra abaixada e quebrar a concorrência.

Gráfico Falido

Você se identificou com algum desses personagens?

Para quem não entendeu direito. De tempos em tempos surgem novos maquinários que tendem a desestruturar o mercado.

Começaram pelas máquinas tipográficas manuais, seguidas das automáticas. Vieram as offsets monocolores, seguidas das bicolores e policromáticas. Agora estamos na onda das máquinas digitais, que imprimem as folhas 1 a 1.

A cada passagem de equipamento, houve os profissionais que não acreditaram no impacto da nova tecnologia. Esses profissionais continuaram a insistir nos processos antigos e acabaram sucumbindo junto dos equipamentos.

É um processo contínuo. E não ache que se limita a área gráfica. Você já ouviu música em vinil? Em cassete? Em dvd? Em Ipod? No celular? Pense em qualquer área! Em todas elas a tecnologia e novas formas de “fazer” as coisas, acabam com processos antigo.

Acha que isto não acontece em alimentação? Você não sabe como tem “chef” de cozinha fulo da vida com os fornos combinados que fazem quase tudo sozinho!

Essa é a realidade. Novas tecnologias e novas técnicas acabando com as antigas. Quem adota primeiro leva vantagem,. Quem segue continua no mercado. Quem vai de encontro a tecnologia, negando a mesma, morre na praia!

Mais que tecnologia! Processos novos!

Falamos aqui bastante em tecnologias novas. Mas há algo mais impactante… são os novos processos de trabalhar.

No nosso exemplo o jovem pegou uma mesma chapa offset e juntou vários clientes no mesmo. A redução de custos se tornou tão gritante que logo, logo ele estava fazendo produtos coloridos mais em conta do que os monocromáticos.

Este é um novo processo. Recentemente um grande distribuidor gráfico começou a forçar o verniz fosco em substituição da laminação fosca. É por que é mais bonito? Nada disso! É por que a laminação fosca exige tirar o serviço da máquina para processar e só então levar o verniz localizado.

Usado o verniz localizado basta acrescentar 2 torres a máquina offset e rodar de uma vez só o impresso. Passam as 4 cores da cromia, depois a chapa do verniz fosco e depois a do verniz localizado… tudo na própria offset… usando tecnologia já antiga (máquinas de 6 cores) para um processo novo ainda não pensado.

Vou citar um caso mais “pé no chão” acontecido comigo.

A alguns aos atrás ao invés de comprar uma máquina offset eu optei por utilizar um duplicador digital.

Na época o duplicador tinha apenas 300 dpi contra os 600 dpi dos laser films da offset. A tinta era meio “pálida”. Colocado lado a lado com as offsets, a impressão perdia feio.

Mas os custos eram menores. Não precisava de um operador tarimbado. O cliente chegava na loja e queria panfletos o mais rápido possível.

Eu pegava os dizeres dele, fazia uma arte final rápida em meros 10 minutos. Tirava um original numa laser. Colocava no leitor da máquina (É! Eu não tinha interface com o computador). Em segundos saia a primeira impressão. Mostrava ao cliente e este aprovava. Em mais 10 minutos eu tinha 1000 impressos… cerca de 4000 panfletos 10×15 cm. Mais 15 minutos cortando e entregando ao cliente.

E não parava de entrar cliente na loja! Foi preciso uma separação e um funcionário muito mal caráter para me quebrar!

E na offset? Eram raras as empresas que conseguiam fazer 20 mil impressos por dia. Isto eu fazia em cerca de 2 horas de trabalho. As paradas eram mínimas e com o tempo bem fáceis de consertar.

Equipamento pior, mas não para sempre!

Como citado no exemplo anterior, um duplicador foi capaz de desbancar uma offset infinitamente superior. Hoje a qualidade dos duplicadores subiu bastante. As interfaces permitem grandes ganhos na qualidade de gravação do máster.

A substituta natural do duplicador foi uma impressora jato de tinta. Andei vendo gente falar muito da HP OfficeJET como a impressora mais rápida do mundo. Mas aqui mesmo já falei da tecnologia JetForce da Riso que chega a 100 páginas por minuto contra os 55 páginas das HPs. As impressoras Riso estão chegando agora nas versões A3.

Aí você pensa! Nunca vai chegar a qualidade offset. E qual a vantagem da offset? Uma tinta mais forte, a prova d’água e do sol e de baixo custo.

Imagine colocar a tecnologia jato de tinta JetForce ou da própria HP, com uma tinta mais “viva”, com tecnologia UV de secagem para atingir alto brilho. A quantidade de tinta produzida sendo grande vai bater em custo as offsets e vai resolver aquele velho problema de não servir no papel couchê.

Quando se menos esperar a offset vai estar lutando contra uma concorrente até mais rápida do que ela e imprimindo um original por folha… será o fim da offset? Toda a tecnologia está aí! Basta ver as tintas usadas nos novos plotters que imprimem até em plástico. Deve ter alguém pagando muito para segurar os projetos e dar um tempo para despachar o que já produziu.

Fica de olho nessas coisas!

Pegando a onda

Perdi a onda! E agora?

Agora vamos voltar para aqueles que estão se sentindo injustiçados.

Qualquer empresa, por menor que seja, tem algum tipo de serviço que faz melhor do que ninguém!

Pode ser convites em alto relevo. Ou talvez ainda faça relevo seco! Pode estar trabalhando com holografia! Está criando convites fantásticos!

Pense bem!

A primeira coisa que se precisa fazer é parar para observar o comportamento dos clientes. O que você está fazendo que está atraindo muitos clientes e chega a chamar alguns concorrentes para pegar este serviço com você para revender?

Este é a sua “menina dos olhos”! Vamos trabalhar nela!

O que te impede de ganhar realmente grana com este serviço? Eu tenho quase certeza que é por que ele sai pouco e acaba saindo caro!

Pense nas formas de ganhar produção com este serviço!

Agora pare de pensar somente na sua esquina e veja o mercado global!

Dá uma entrada no Mercado Livre e vê quantas pessoas estão oferecendo este produto!

Se ninguém está oferecendo você tem a grande vantagem de ser o primeiro! Ser a Coca Cola nesta área!

Se já tem alguém oferecendo, verifique se pode fazer melhor e mais barato! Você ainda pode ser a Pepsi e acabar ganhando o mercado!

Fora o mercado livre, dá uma pesquisada nos nomes dos sites e vê se o nome deste produto está disponível na web? Tipo www.altorelevo.com.br ou www.relevoseco.com.br

Se estiver disponível, faça o registro correndo e monte uma pequena loja virtual. Com certeza alguém vai bater na sua porta. O google vai achar rapidinho o seu site!

Você vai fazer isto ou vai continuar chorando pelos movimentos dos concorrentes.

Um livro para te ajudar!

Isto que eu estou falando aqui não é novidade, nem aqui no blog!

Existe um livro chamado “A estratégia do oceano azul”.

Você já pensou por exemplo que os circos tem a cara de decadentes!!! Mas um cara descobriu que o circo não ganha dinheiro devido a baixo público, excesso de especialização (cheio de estrelas), aparência suja e devido ao alto custo dos animais. Aí um cara decide alugar grandes espaços, trabalhar com profissionais sem fama, muitos captados no próprio local de apresentação, com um enredo bem bolado, muita luz, efeitos e limpeza, sem animais… e montou o Circo do Soleil… sucesso em todo mundo. Sim! Todo mundo… ele não tem estrelas e pode ter espetáculos em todos países ao mesmo tempo. Ele está navegando num oceano azul e sem obstáculos, enquanto os circos tradicionais lutam entre si pelas migalhas.

Você vai ver muitos casos desses no livro.

O que a AtualCard fez atualmente no mercado foi exatamente isto. Eles começaram a 15 anos a fazer cartões em chapas juntas. No inicio levavam 30 dias juntando clientes, depois 15 dias, e hoje meros 1 dia. Muitos tentaram copiar o “esquema”. Mas deparam com os altos valores dos maquinários.

Quando menos esperava ela começou a trabalhar com pequena tiragem. Você acha que a concorrência não ficou incomodada com os cartões sendo feitos a cento?

Se você acompanha o mercado notará que as novidades sempre são trazidas por eles. Uma das últimas são os panfletos monocromáticos… aqueles que os antigos gráficos não quiseram produzir a baixo custo. A AtualCard pegou uma máquina antiga monocolor e um funcionário  qualquer e começou a produzir aquilo que ninguém queria.

Eu sei que tem gente de lá que lê as minhas postagens. Quer ver como eles vão começar a pensar nas máquinas jato de tinta rápidas e bolar algo?

Afinal, eles tomaram o gosto de navegar no oceano azul e não querem voltar ao oceano vermelho… se tem muita gente produzindo milheiro de cartão, vamos fazer algo novo!!!!

Oceano Azul - Circu de Soleil

Conclusão

O mercado está aí e bem firme. Embora muitos chorem por que o mercado está diminuindo, as pesquisas mostram crescimento no setor maior do que o nosso PIB.

O que acontece é que o mercado muda a cada momento e devemos nos preparar para estas mudanças e se possível sair na frente.

Se acomodar numa posição de aparente liderança é o primeiro passo para o fracasso. A inovação deve ser constante!

Avalie seu negócio agora mesmo! Não ache que o outro setor está melhor! As inovações constantes estão ocorrendo em todas as partes e a todo momento!

Aproveite a sua experiência e tire proveito dela!

Imitar o líder é só um começo! O ideal é se tornar um líder em algo ainda não pensado.

E a resposta está nas suas mãos! Basta parar para ver!

Espero que todos aqui parem de ter raiva daquele garoto e comecem a pensar seriamente em como podem mudar seu futuro.

Um grande abraço a todos e até a próxima postagem!

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22 comentários

  1. Paulo, você psicografou isso, não é possível….. rsrs

    parabéns… muito bom…. o melhor post do blog….

    quando comecei a ler seu blog, eu não sabia nada sobre gráfica… adquiri muita força para inovar….

    valew

    • Paulo Valle
      Author

      Leandro,
      Na verdade é o Espírito Santo que me inspira.
      Ajudar as pessoas é algo que me motiva. O resultado financeiro não pode vir de “passar a perna” no próximo. Tudo tem que ser uma parceria.
      Espero te ajudar muito mais nos próximos anos.
      Continue a nos acompanhar e se tiver dúvidas ou sugestões não deixe de nos enviar.
      Abraços,

  2. marcos

    muito bom o post… porém o que vejo é o seguinte, no caso dessas gráficas que fazem serviços em grade (como citado a atual card, cartões + barato, brasilgraf e tantas outras, que ouvi dizer que são a mesma gráfica porém com sites diferentes, não sei se é verdade, talvez seja pra confundir mais ainda seus parceiros) é que a bandeira principal é de atendimento somente a profissionais ligados a área gráfica, mas observei e senti na pele que isso esta longe da realidade, eu mesmo por muitas vezes já me deparei com clientes, tipo borracharia, sapateiro e outras do comércio e indústria, compram diretos com essas mesmas gráficas que dizem atender somente gráficas ou profissionais da área.

    para citar somente um exemplo, passei a ser um revendedor dessas gráficas, comecei a vender os cartões de visita em 2005 à R$ 150,00 enquanto essa gráficas vendiam a uma média de R$ 20,00 à R$ 25,00, hoje existem pessoas que não tem nenhum compromisso com o ramo gráfico, tem por exemplo uma lan house, ou a pessoa vende software e para complementar renda ou ganhar clientes queimam o mercado por vender cartões à R$ 40,00 ou R$ 50,00 pra que? pra chamar clientes que não conhecem essas gráficas e prostituir mais ainda o ramo gráfico,

    pra citar um exemplo fui vender um flyer 10×15 cm. 5.000 unidades papel couchê 115g 4×4 à R$ 450,00 –
    – bem eu pagava para uma revenda R$ 220,00 pelo produto, então pensei vou ter um lucro de pelo menos uns R$ 200,00 – qual foi a minha surpresa? o cara o cliente de um centro automotivo da minha cidade limeira, já tinha um fornecedor, qual ? futura imbatível. preço do produto R$ 170,00, o cara ria da minha cara é foda né, naquele sol de janeiro pra lascar mesmo, tinha que ver o cara rindo da sua cara porque ele já tinha se cadastrado e comprado o mesmo produto por um preço de menos da metade do meu.

    acredito que isso não é justo com aquele gráfico que tem uma pequena gráfica ou mesmo uma gráfica de porte que depositou confiança nesse esquema, mas que na verdade existem poucas empresas nesse segmento que REALMENTE atende somente o profissional da área gráfica, posso citar por experiência 2 gráficas – revenda KWG de são paulo – e a ZAP gráfica de Minas. acredito que existam outras, até aqui não vi por enquanto uma trairagem dessas empresas..

    então vejo assim o mercado tem lugar pra todos desde que as instituições sejam sérias, idôneas, e entendam o seu lugar no comércio, acho justo essas gráficas terem o seu potencial isso não se discute, mas então entenda, eu vendia 1.000 cartões em 2005 à R$ 150,00 (já era muito barato pra época – pois cheguei a vender à R$ 450,00) enquanto a gasolina era vendida na casa R$ 2,00 na época, hoje o cartão é vendido numa média de R$ 60,00 e a gasolina R$ 3,00 só pra citar um exemplo, e o custo de vida só aumentando enquanto nosso ramo está minguando, só quem ganha dinheiro de verdade são os clientes.

    hoje vejo vários gráficos que se adaptaram a realidade esta certo, mas vejo tambem aqueles que não aguentam mais terem empregados e maquinários (ta certo já ultrapassados) concorrendo com empresas que só querem te comer, ver pelas costas, de vez de ser verdadeiramente uma parceira,
    posso concorrer vendendo somente materiais gráficos a preços ridículos e sobreviver? ou manter uma gráfica com empregados?.
    pense parceria é coisa séria – é isso a bandeira dessas gráficas porém não vejo eles a honrarem.
    não dá pra concorrer com eles e muito menos com o exército de pequenos internautas que vendem a preços ridículos e que tem outa fonte de renda e muitos deles sem nenhum registro para pagar impostos.

    conclusão: vejo que temos que procurar empresas realmente com compromisso com o gráfico, por exemplo não seria legal se todos pudéssemos vender cartões de visita à R$ 150,00 ou mais como preço sugerido? até mesmo as gráficas que vendem hoje em grades poderiam aumentar seus preços de vez de ficarem brigando por preços ainda mais baratos.
    não seria bom senão tivéssemos pessoas ou empresas que não são do ramo gráfico vendendo ou comprando os mesmos produtos que luto pra vender?

    estive pensando como sugestão para meus amigos gráficos:
    é bom pensarmos a começar a dominar os preços na sua cidade, coloque os preços iguais dessa gráficas na sua cidade com a sua maquininha bicolor mesmo, pelo menos um dia da semana, logo terá igual eles bastante clientes para comportarem os custos de se manter uma gráfica e trocarem seus equipamentos

    • Leandro

      Olá Marcos,

      Concordo com o que disse. Difícil vender, sendo que o fornecedor atende o cliente final…. Por causa disso trabalho com a ZAP, eles tem um controle dos cadastrados. Cortam o cadastro de quem não tá sempre produzindo e também cortam o cadastro se estiver produzindo para o mesmo cliente e o principal: “não deixam o preço visível no site para quem não é cadastrado”.

      Na verdade no início não conseguia vender bem, tive de montar algum diferencial para conquistar o cliente:

      – colocar o preço em todos produtos do site (já filtro contatos desnecessários)
      – colocar diversos modelos de arte no site para o cliente escolher
      – ajustar o arquivo do cliente
      – não imprimir arte sem o mínimo de qualidade (recusei vários clientes e diminui prejuízos)
      – cobrar o valor justo para fazer a arte do cliente
      – cobrar para vetorizar logos das artes que recusei
      – dar opções de quantidade, tamanho, tipo no site
      – criar filtros no site para ver as diferenças de preços
      – criar orçamento online sem compromisso “como se fosse um carrinho de compras” gerando proposta em pdf (me economizando tempo)
      – sistema de automatização de resposta de orçamento via e-mail (respondendo os orçamentos em menos de 30min)
      – trabalho de SEO do google e anúncios do adwords
      – diminuir taxa de rejeição do site

      Fiz um teste em Belo Horizonte: mandei e-mail de orçamento em várias gráficas.

      – 60% respondem e-mail dois dias depois
      – 50% não falam o nome do cliente e nem dão bom dia, boa tarde, olá.
      – 50% não citam, prazo e forma de pagamento

      Conclusão:

      O bom cliente está procurando bom atendimento e o mal cliente é o que prostitui o mercado e fica negociando preço ou querendo tirar vantagem em algo. Com o tempo a gente apreende a arte de filtrar clientes, onde economizar tempo é sinônimo de dinheiro.

    • Paulo Valle
      Author

      Marcos,
      Não vou te apoiar nem pixar.
      Realmente trabalhar com preços baixos é ruim.
      Mas pergunto: Quem fez a arte para o cara da borracharia? Não foi a futura… tenho certeza.
      Essa onda de abaixar preço não vem do ramo gráfico e sim de toda a indústria. É um movimento de comoditização de preços.
      E o que é uma comodite. A gasolina é um exemplo. Ela custava relativamente cara e despencou de preço (isso aconteceu antes dos nossos avós)… depois começou a acompanhar uma linha de mercado baseado na curva de demanda. O mesmo acontece com Sal, arroz, ferro, e tudo mais.
      Os produtos gráficos mais comuns seguem este caminho. Já abixaram muito e começam a subir ligeiramente os preços.
      Houve tempo que comprar carne era coisa de ir a açougue, com serviço de cortar a carne direitinho e coisa e tal. Hoje só em supermercados sem nenhum serviço ou quase nenhum.
      Eu podia ficar aqui procurando dezenas de exemplos de quedas de preços. No artigo citei os cartões em tipografia que são da nossa área.
      As pequenas gráficas terão que se ajustar e pegar serviços complementares. Estamos aqui para atender o cliente.
      Se você se acha injustiçado, imagine aquela confecção que tinha 1000 costureiras e máquinário para tudo isso e fechou as portas por não competir com os chineses?
      Já pensou que esse material poderia estar vindo da China e você estaria com o mesmo problema? Pelo menos os empregos estão nas grandes gráficas e tem ainda espaço para pequenos bureaus trabalharem com as pessoas que não tem tempo para correr atrás de preço.
      Infelizmente vai ter gente correndo para a internet, pedindo arte pro sobrinho e achando que está fazendo bom negócio.
      Não vai entender direito por que os 10 mil panfletos não trouxeram o retorno esperado… afinal, há segredos em fazer uma boa arte que não se consegue passar nem em blogs como o meu… faz parte do espertise do profissional gráfico.
      Abraços,

  3. marcos

    concordo com suas palavras paulo, estamos no mesmo barco acredito….gostaria de falar que pode ser que a gráfica futura pode não ter feito a arte mas o serviço direto pro cliente, há isso eu posso afirmar, e não quero crucificar somente a futura não, já vi a GIV on line, Brasilgraf, somente pra citar algumas, fazer o mesmo.
    porém o que queria deixar claro que no meu comentário procurei deixar claro é que essas gráficas grande não honram seu “compromisso” em atender somente o profissional gráfico ou agências de publicidade, de fato até mesmo nosso amigo leandro tambem pôde sentir isso de alguma forma.
    Outro exemplo a atual card, vende franquias Brasil afora, já passei na frente de algumas franquias delas, adivinha o banner bem grande do preço do cartão de visita acho que 4×0 à R$ 28,00 – um cliente que passe em frente dessas franquias mais atento vai procurar quem pra ser atendido, eu que faço cartão à R$ 100,00? É por isso que deixei de trabalhar com eles, foram também meu fornecedor.

    quanto ao emprego que elas proporcionam – muito bom precisamos de empresas grandes, que sejam verdadeiramente sólidas, que se preocupe em treinar seus funcionários e darem salários dignos, para que depois não quebrem e deixem uma porção de empregados sem saber o que fazer.

    porem gostaria de salientar que a indústria gráfica sempre terá espaço para pequenos empresários como eu, você o leandro, e tantos outros…é tanto que senão não falha a memória 90% da indústria gráfica é composta de pequenas empresas que geram diversos empregos assim como as grandes, e que hoje não tem mais dinheiro para comprarem maquinas modernas e tem que vender suas maquinas a preço de capim ou alguns até mesmo estão dando máquinas que antes valiam tipo R$ 120.000,00 (somente pra citar solna 225 bicolor – hoje vale tipo de R$ 35.000 à R$ 60.000) para um cara batalhador-gráfico tocar a gráfica para pagar seu maquinário em várias prestações sem juros, acredito que isso seja uma realidade vinda da parte política e da recessão mundial mas também vem de nossos colegas de trabalho que creio não sabem dar o valor devido em nossos produtos.

    Pra você ver como acredito que não tem noção de valor, vou citar um exemplo dessas gráficas grandes:
    5.000 flyers – 10×15 cm. – papel couchê 115g. – 4×0 – média de preço – R$ 160,00
    5.000 flyers – 10×15 cm. – papel couchê 115g. – 4×4 – média de preço – R$ 230,00
    O que você acha que o cliente vai preferir fazer, oras com certeza o 4×4 não é mesmo, diferença no caso de R$ 70,00, como sugestão para as gráficas grandes esse valor não poderia ficar um pouco mais vantajoso se cobrasse uns R$ 260,00 ou R$ 290,00, acredito que isso traria mais valor ao impresso, traria mais renda, e quem quer fazer um serviço 4×4 ia continuar fazendo da mesma forma, ai você pode pensar mas eles fazem numa maquina 4×4 cores numa passada só tipo speedmaster! Tudo bem concordo, mas um equipamento desse também não é tudo mais caro também?

    por isso concordo que temos que seguir se reinventando mesmo, o mercado é ingrato se você não esta atento.
    para citar um exemplo próprio: hoje atendo mais o ramo de embalagens de pequena quantidade, se você viver somente para vender cartões, flyers, folders, pastas, etc… teria que morrer de trabalhar e ainda sim, ver o lucro aumentando pouco, ainda faço esses produtos terceirizando, mas como eu não sei mais como quem é meu concorrente (as vezes pode ser até mesmo um parceiro – vai saber) eu primeiro pergunto quanto a pessoa paga no produto pra assim não ser chamado de ladrão, isto porque não sei se cobro no cartão de visita R$ 40,00 – R$ 50,00 – R$ 60,00 – R$ 80,00 – R$ 150,00 num milheiro de cartão 4 cores comum.

    quanto a arte final tambem seleciono o cliente, se é aquele mais enjoado eu cobro o preço que teve – se aquele que esta a procura somente de preço faço a tática de cima.
    Resumindo mais uma vez, o que gostaria era de ver nosso mercado regulamentado, para que todos pudesse obter lucro inclusive os grande, para que os pequenos pudessem sobreviver e ter uma parceria digna, talvez isso não seja possível, mas quem sabe.

    • Paulo Valle
      Author

      Marcos,
      Não irei discutir o seu ponto e sim lançar um novo.
      Pergunto: Isto que vem ocorrendo aqui no Brasil com AtualCard e Cia é uma coisa que está acontecendo a nível mundial? Não pense apenas na parte gráfica e sim com vários áreas.
      A resposta é SIM. Está havendo uma força muito grande para abaixar as margens de lucro em todas as áreas. Hoje não adianta nem abrir um restaurante, pois esta concorrência de custos existe até com eles (eu saí recentemente dessa área).
      Então, não adianta nadar contra a maré. Ninguém ganha da maré.
      O que deve ser feito é avistar estas ondas e ver que onda você pode pegar.
      Vamos voltar ao ramo gráfico. Você percebeu que a AtualCard começou a fazer trabalhos em pequena tiragem, e até trabalhos monocromáticos?
      Por que eles estão fazendo isto? Por que eles não estão fazendo talões de pedidos e similares?
      Eles vão onde há demanda.
      Se eles estão te sinalizando que há demanda para esses nichos que o custo de entrada é baixo (uma boa laser ou máquinas monocromáticas), pode ser uma oportunidade de ser mais produtivo do que eles.
      Tem leitores meus aqui do blog que estão deixando de se focar em fazer cartões para pessoas que só voltam 1 vez por ano e estão fazendo adesivos para embalagens para pequenos fabricantes que pedem todas as semanas. Ele tem um plotter de impressão e de recorte e os papeis estão disponíveis por aí. Ele vende por um preço 30% abaixo da Atualcard e obtem um lucro de 4 a 5 x o custo dele… ele pescou um nicho rentável e esta atuando nele a nível nacional desbancando as grandes.
      Tem um povo aí que está pegando a impressora officejet pro X da hp (que imprime a 50 páginas por minuto), com bulk-ink e está vendendo milheiro de panfleto por uns R$ 40 colorido (em jato de tinta que não borra). Ele está ganhando mais do que eu ganho dando panfleto no mercado livre e cheio de concorrente. Basta ver a minha quantidade vendida e a dele que você vai ver quem está ganhando nas vendas.
      Ele conseguiu fugir também dos grandes.
      O grande lance é ir onde eles querem ir e não conseguem entrar devido ao grande tamanho deles. Eles perdem em qualidade, perdem em atendimento, pós-venda, em ouvir os clientes. São tantos pontos negativos e ainda tem gente perdendo tempo discutindo se é apenas uma empresa ou se são várias empresas… o cliente mesmo nem quer saber disso.
      Então segue o meu conselho: Deixe de pensar no que seria certo ou errado, não dá para mudar a correnteza mundial. Se foque no que você se destaca da concorrência e torne-se lider nele.
      Quanto a regulamentação… a informatica era regulamentada e protegida e só tivemos computadores de verdade quando ela acabou. Quanto mais regra aparece, mais gente aparece quebrando as regras. Só quando permitiram a caça dos jacarés e criação dos mesmos (que era proibida) é que ele saiu de extinção… hoje o mercado de bolsas é suprido pelos “fazendeiros de jacarés”, inibindo o abate devido a retirada de couro. Os malucos que matam jacaré por prazer podem fazer isto nos períodos em que é permitido para controle populacional. Cresceu tanto que até aqui no meio do Rio de janeiro, na Barra da Tijuca, jacarés do papo amarelo e Capivaras estão andando soltos nas lagoas da região… afinal, você prefere comprar o couro todo furado de balas ou ele limpinho e tirado na época certa?
      Um grande abraço.

  4. marcos

    isso mesmo paulo, suas dicas são realmente boas quanto a ter uma impressora jato essas da HP – eu mesmo comprei uma e estou fazendo como exemplo seu citado, estou até mesmo pensando em comprar umas 4 impressoras pra atender uma quantidade maior.
    outra dica que tenho pensado, é a de se tornar lider em vendas por grade na minha cidade, usando o exemplo
    dessas gráficas maiores.
    mas continuo a salientar que nós os pequenos e médios devemos tomar cuidado com a bandeira “atendemos somente o profissional gráfico” isso com certeza é mais uma propaganda enganosa.

    • Paulo Valle
      Author

      Se você se tornar lider em grade na sua região pode concentrar as vendas usando a seu favor a questão do frete.
      A Padrão Color aqui no Rio, embora ainda careça de maior penetração nacional, começou assim e hoje já tem umas 10 máquinas de 4 a 8 cores em seu parque gráfico. Ela atende o Grande Rio, é fechada para particulares e curiosos, exigindo indicação de 2 sócios-clientes para entrar.
      Entregam em todo o grande rio cobrando de R$ 8 a R$ 15 por entrega (dependendo de que rota você esteja – são 5 rotas indo até a região dos lagos e até o sul do estado.
      Este modelo pode ser replicado para todo o país… tem muitas regiões carentes de serviços como este.
      Abraços,

  5. Oswaldo

    Nossa, gigantes esses comentários que deu até preguiça de ler..

    Mas minha opinião é o seguinte: não me importo o valor que a gráfica cobra, pois eles irão fazer apenas as impressões gráficas. O que pesa na hora de cobrar de meus cliente é meu serviço, meu design.
    Adiciono sim uma porcentagem em cima da impressão, pois também gosto tempo acompanhando os pedidos e caso ocorra atrasos ou falha de impressão, serei eu que irei cobrar da gráfica e ter uma pequena dor de cabeça. Mas o que valorizo é meu serviço como designer, minhas criações e não pela impressão.
    Não faço um layout de um cartão por 100reais, folder por 250reais… nem chego a pensar na ideia, muito menos abrir o software gráfico, pois minha criação é planejada, focada e exclusiva para meus clientes.
    Ahhhh o carinha que mora logo ali cobra menos… bom idiota e FDP que ele é por desvalorizar nosso ramo de atividade. O que posso fazer é dar um desconto na próxima compra, mas na primeira compra não baixo o valor.
    Não tenho raiva das gráficas, pois eles só farão a impressão, tenho raiva dessas pessoas que se dizem designers, mas não tem noção nenhuma no mau que faz ao cobrar preços ridiculamente baixos, como 50 reais em um cartão. 50reais? Pode??

    • Paulo Valle
      Author

      É Oswaldo.
      A gente pode cobrar de acordo com o nível do nosso trabalho.
      Eu ainda não estou cobrando bem, pois o meu universo é a internet, com uma concorrência ferrenha.
      Mas a medida que vou formando clientela, vou subindo os valores pois sei que quem já fez algo comigo vai valorizar o meu serviço e continuar mesmo que eu suba um pouco os valores.
      Agora, que fica fazendo quantidade menor, vacila nas artes, e não dá o devido suporte, só vai cair com o tempo… o preço que ele cobra nunca pode ser a minha preocupação, senão caio junto.
      Obrigado pelo seu comentário.
      abraços,

  6. Raniere Carvalho

    gostei muito da postagem! poderia me indicar onde posso ler esse livro?? conhece algum link?
    desde já obrigado, estou montando uma gráfica terceirizada (ainda não tenho equipamentos, mas faço pelo preço mais barato, já que imprimo direto com a gráfica com a qual realizo as impressões.

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